Documento de Referência para a votação em AcaciaNo Congresso Internacional de Botânica (IBC) em Viena em 2005, foi 'decidido' conservar o nome Acacia com um novo tipo, proveniente da Austrália (Acacia penninervis) em substituição do tipo africano original (Acacia nilotica), o que, efectivamente, restringiu o nome Acacia a um grupo de plantas maioritariamente australianas, conhecidas por ‘wattles’, e excluiu a sua aplicação nas verdadeiras acacias, largamente disseminadas em zonas tropicais. Colocamos em causa esta 'decisão' e, considerando que o nome Acacia é amplamente usado fora do meio científico, gostaríamos de incluír nesta iniciativa todos aqueles que desejem ajudar a fortalecer a nossa causa, com vista à anulação da retipificação de Acacia no próximo encontro do IBC em Melbourne em 2011. Um dos factos menos conhecidos acerca do encontro da Secção de Nomenclatura em Viena (2005) é o sucesso da campanha do ‘não’ à proposta de retipificar Acacia com uma espécie australiana. Apesar da campanha altamente organizada desenvolvida pelos apoiantes dessa proposta, os votos de muitos Herbários tropicais foram no sentido da maioria de 54,9% de voto para não aceitar a proposta de mudança do tipo de Acacia. Todavia, no início da sessão na qual a questão seria tratada, foi repentinamente introduzido o requisito de uma maioria de 60% de votos para anular a proposta de retipificação. Este procedimento não está de acordo com o procedimento normal nestes encontros, que consiste em requerer a maioria de 60% apenas para alterar o Código, sendo aplicada uma maioria simples de 50% em todos os outros assuntos (onde se deveria ter incluído a proposta de retipificação de Acacia). Visto em Viena ter existido uma maioria clara (54,9%) de oposição à proposta de alteração, pensamos que nesta causa não é necessário reabrir a discussão com argumentos a favor e contra a retipificação. Em vez disso, pensamos que a abordagem mais simples e eficaz será de construir a causa em termos legais, com base apenas na imposição do requisito de uma maioria de 60% para rejeição da retipificação no encontro. A todos aqueles a quem a questão da retipificação de Acacia diz respeito ou afecta, ou aos que sentem que se devem pronunciar, profissionais ou amadores, pedimos que depositem aqui o seu voto. Precisamos de um apoio muito substancial, que indique a extensão do descontentamento sobre o modo como a questão foi tratada em 2005, e que também sirva de base à nossa causa, quando fôr submetida em Melbourne em 2011. Esclarecimento sobre a questão votada em VienaTem havido muita confusão sobre o que foi efectivamente votado em Viena. Esta confusão resulta da mistura de questões relativas às regras de como são dados nomes às plantas (que refere à Secção de Nomenclatura de Viena) com questões taxonómicas (ou seja, se Acacia é reconhecida como um género com vários subgéneros, ou se é dividida em vários géneros distintos). Com referência às questões taxonómicas, existe actualmente evidência que apoia a divisão de Acacia (no conceito tradicional do género, incluindo vários subgéneros) em géneros distintos. De facto, foi descoberto que o grupo plantas conhecidas como ‘wattles’, maioritariamente australiano, é taxonomicamente distante das restantes espécies de Acacia, aparecendo incluído noutra tribo (categoria taxonómica, entre género e subfamília) de leguminosas. Estas conclusões são largamente apoiadas por investigação multidisciplinar e inter-institucional. Além disso, as cerca de 207 espécies de Acacia pretencentes ao subgénero Aculeiferum são já reconhecidas como um género separado, Senegalia, em grande parte da zona neotropical, embora esta mudança ainda não tenha sido formalizada para as espécies africanas. Todavia, o fulcro da proposta de retipificação não foi taxonómico. Os apoiantes construíram o seu caso baseados no facto de que os ‘wattles’ australianos incluem muito mais espécies do que as verdadeiras acacias tropicais. A conservação do nome Acacia com um novo tipo australiano, permitiria o uso desse nome para a maioria das espécies no género (no sentido lato tradicional), isto é, cerca de 1000 espécies de, essencialmente, ‘wattles’ australianos, em vez de manter o seu uso para as cerca de 161 acacias verdadeiras (isto é, excluindo o grupo de Senegalia). Se os ‘wattles’ forem reconhecidos como um género distinto, terão de ter nome de Racosperma, o nome correcto a nível genérico para o subgénero Phyllodineae do género Acacia. Os apoiantes da proposta de retipificação em Viena citaram precedentes, como por exemplo, o género de leguminosas Hedysarum. A espécie-tipo de Hedysarum pertence de facto a um género (Sulla, com 7 espécies) distinto do resto de Hedysarum (com 200+ espécies). Para evitar confusão e numerosas mudanças de nome, o nome Hedysarum foi conservado para o grupo com a maioria das espécies, tendo uma nova espécie-tipo sido designada. Esta retipificação foi bem fundamentada e efectuada de modo exemplar. No caso de Acacia, este precedente foi seguido de modo pouco escrupuloso, e aparentemente sem fundamentos válidos. Alguns anos antes, os ‘wattles’ tinham sido publicados por Les Pedley sob novos nomes em Racosperma, portanto não existia qualquer confusão sobre onde deveriam ser colocados ao ser separados do resto das espécies de Acacia. Além disso, não existe uma razão válida para a mudança do tipo das cerca de 161 acacias verdadeiras (isto é, Acacia subgénero Acacia) que se mantêm depois de separados os outros elementos genéricos, porque neste caso não existe qualquer confusão nomenclatural possível. O debate sobre que divisões de Acacia devem ser reconhecidas a que nível taxonómico, é independente da questão central tratada em Viena, ou seja, a da mudança do tipo de Acacia (Acacia subgénero Acacia) para os ‘wattles’ simplesmente porque este grupo tem um maior número de espécies. A iniciativa de retipificação não teve em conta os numerosos factores em causa, ou seja, as questões sociais, culturais, ecológicas, económicas, demográficas e históricas, que deveriam ser debatidas antes da votação a favor ou contra a retipificação. |
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